É muito doloroso mudar. Primeiro porque na metamorfose, uma parte essencial do ser deixa de existir; um modo de ser quem se é precisa entrar em colapso para dar oportunidade a um novo indivíduo se manifestar. Segundo porque se unem contra a renovação aqueles que, de uma forma ou de outra, o conhecem, testemunham sua biografia e zelam para que ela seja preservada, isto significa enfrentar a resistência de todo mundo que o cerca.
O desafio inicia com a exigência de suportar a angústia que a proposta nova gera. O sentimento de desamparo, o medo do desconhecido, a necessidade de sair da zona de conforto, encarando os próprios temores tende a ser desagradável. Não é qualquer pessoa que se dispõe e aguenta um esforço deste tamanho, porém indispensável para a superação de si mesmo.
Engana-se quem imagina que contará com o apoio alheio ao projeto de transformar-se, mesmo que a mudança seja um desejo coletivo. Equivoca-se o sonhador ingênuo que espera estímulo à mudança por parte de todos, por mais absurdo que pareça. Há uma conspiração pela fixação de identidades e pelo congelamento de características; participa-se, inclusive contribui-se para a blindagem que paralisa os processos históricos.
Observa-se esta contradição nos consultórios diariamente. O discurso que produz a procura por ajuda nem sempre se sustenta aos desafios que se sucedem. Talvez a falta de informação induza a ilusão de que apenas a palavra de um profissional execute toda a tarefa pelo paciente. Então quando ele percebe que não pode ser assim, que precisa aprender a construir escolhas, duvida de sua verdadeira capacidade.
Os psicólogos estão acostumados com as resistências, se prepararam para exercer suas atividades com a presença constante de forças contrárias ao seu método de trabalho. Sabem que elas vão se manifestar na relação com seus pacientes; esperam e alertam para possíveis crises deles com seus familiares e com amigos, porque a mera possibilidade de alteração de comportamento (real ou imaginária) de um dos membros da rede social o coloca em perigo, na medida em que interfere direta ou indiretamente na convivência entre eles.
Entretanto aqueles que persistem na tarefa de mudança confirmam categoricamente sua ousadia, conquistam a autonomia e descobrem seu legítimo valor, independente se o fazem com a ajuda de alguém ou não. Karen Horney afirma: “A vida em si mesma é uma excelente terapeuta”. Basta ter convicção para se entregar a um projeto no qual, muitas vezes, se é o único a acreditar.










