sábado, 31 de julho de 2010

A NOVA MÃE

Antigamente era fácil visualizar a família: pai, mãe e filhos. A mãe ficava em casa cuidando dos filhos e o pai trabalhava fora para sustentar o lar. Hoje há um novo conceito de família se materializando, e vários fatores explicam essa mudança.
Há 50 anos, com a chegada da pílula anticoncepcional, a mulher pode planejar melhor a vida e a chegada dos filhos, assim toda a dinâmica familiar mudou.  Depois, conquistou o direito de descasar: a cada quatro casamentos, um termina em divórcio no Brasil. Além disso, o sexo feminino é um dos maiores responsáveis pelo sustento da casa, como indica levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que aponta aumento no número de mulheres chefes de família: 76% das mulheres trabalham fora; a taxa de fecundidade que era em média de 5 está em torno de 1,8 filho por mulher; a faixa etária dos 25 a 35 anos é a que tem mais filhos; 56% das mulheres são chefes da casa. Sendo que desses lares, 52,9% são do tipo monoparental, ou seja, há somente mãe e filho(s).
A nova mãe cuida de si mesmo, isto é, estuda, trabalha, se diverte, divide as contas com o companheiro, retarda a concepção até se estabelecer profissionalmente ou simplesmente opta por não ser mãe.
A família que essa mãe contemporânea está inserida envolve agora filhos e parentes de outros casamentos, ex-maridos, que ampliaram o conceito de família nuclear de antigamente que lembra um patchwork ou, para citar um termo usado pelos especialistas, família mosaico. 
Essa nova mulher se liberta da tradição que impedia seu crescimento pessoal. Junto com esse avanço vieram às crises e culpas por não darem atenção plena aos filhos numa comparação com o passado vivido pela geração de seus pais.
Criou-se para a mulher de hoje uma expectativa irreal, de somar casa, família e trabalho, sendo os dois primeiros nos moldes antigos e o trabalho como se ela não tivesse mais nada para cuidar, como se devesse trabalhar como um homem, mas viver como uma mulher antiga.  Sem uma administração eficiente, esta situação múltipla acaba por gerar conflito, desgaste e estresse.
Mas a influência psicológica e a relação com os filhos ainda é e sempre será, fator fundamental que molda o caráter dos jovens.  A mudança nas características da mãe dá uma nova cara para a sua relação com o filho.  Nota-se uma grande modificação na relação mais aberta, a educação passa a ser mais a base de conversa e não do castigo. 
A mãe (ou a mãe substituta) é aquela que empresta o que tem de melhor para que o filho aprenda a enxergar a realidade através dela, daí sua importância por representar o primeiro grande contato com o mundo real.  Há quem tenha dito – e provavelmente está correto – que temeríamos mais o nascimento que a morte, se dele tivéssemos consciência.
Uma criança precisa sentir que é objeto de prazer e de orgulho para a sua mãe, assim como ambos precisam se sentir profundamente identificados um com o outro, pois se trata de uma relação humana viva, que altera tanto a personalidade da mãe quanto do filho. 
A equipe do Espaço Dom Quixote dedica o seu trabalho como respeito e admiração à função materna, pessoa muitas vezes responsabilizada pelas más condutas, mas também parabenizada pelo bom trabalho. Obrigada, mães!


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