sábado, 31 de julho de 2010

LIMITES, A PALMADA ENSINA?


          Antigamente, ninguém sequer discutia o assunto: criança não sabia e, portanto, precisava aprender; os adultos deviam ensinar, inclusive podiam castigar.  Com as mudanças do séc. XX as pessoas foram aprendendo a respeitar e principalmente a entender as crianças. Muita coisa melhorou no relacionamento entre pais e filhos.  Entretanto essa nova forma de disciplinar é muito mais difícil e cansativa.  Negar parece um crime, um modelo antiquado de educar.   
É necessário que a criança aprenda que poderá fazer a maioria das coisas que deseja, mas nem tudo e nem sempre, mesmo que dê muita vontade.  Ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, os problemas possam ser superados com equilíbrio e maturidade. (a criança que hoje aprendeu a esperar sua vez de ser servida à mesa, amanhã não considerará um insulto pessoal esperar a vez numa fila).  Desenvolver a capacidade de adiar satisfação (Se não conseguir emprego hoje, continuará a lutar sem desistir – ou agirá de forma insensata e desequilibrada, partindo para a marginalidade, álcool, depressão, etc.  
Evitar que o filho cresça achando que todos no mundo têm de satisfazer seus mínimos desejos e, se tal não ocorrer, o qual sempre é o mais provável, não conseguirá lidar bem com a menor contrariedade, tornando-se um frustrado ou pior, desequilibrado emocionalmente.  Diferenciar o que é uma necessidade importante, e o que é um desejo (prazer), e aí dizer “sim” quando for possível, e “não” sempre que necessário.  Lembrando que elogiar tem muito mais efeito do que “comprar” os filhos.
Dar o exemplo.  Quem quer filhos que respeitem a lei e os homens, tem de viver seu dia-a-dia dentro desses mesmos princípios, ainda que a sociedade não tenha apenas indivíduos que agem dessa forma.  Filhos observam e imitam os pais.
A palmada ensina sim, mas é a temer o maior, o mais forte, que o comportamento agressivo é válido para resolver os problemas, que a força bruta é mais importante que o diálogo, que os pais não são confiáveis, inclusive aprender a mentir para não serem punidos, criando uma distância física e emocional deles.
         Conforme o filósofo Aristóteles: “A justiça está no meio – termo”. Também não trocar seu papel pelo de “amigos”.  Pais têm que ser pais, mantendo características que identifiquem uma identidade protetora, firme, confiável; com um papel específico na vida e na estruturação da personalidade dos filhos. O amigo tem outro nível de importância, o amigo procura-se, até troca-se, mas pai e mãe é referência para sempre.

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