Em março de 2006 o CVV – Centro de Valorização da Vida completou 44 anos de atividade e de reconhecimento do Ministério da Saúde pelo trabalho de prevenção ao suicídio que realiza em seus 57 postos espalhados pelo Brasil, atendendo a uma média de um milhão de ligações telefônicas por ano, através dos 2500 voluntários que trabalham gratuitamente oferecendo apoio emocional.
A pessoa que pensa em suicídio é uma pessoa solitária. Pode não estar só, mas sente-se como se estivesse. Tenta comunicar-se, mas ninguém se dispõe a ouvi-la sem críticas ou julgamentos, e principalmente com sincero interesse.
Foi com esse objetivo que surgiu o CVV, uma entidade sem fins lucrativos que escuta as pessoas diariamente por telefone 24h por dia, ou pessoalmente em horário comercial. O que sustenta o atendimento ininterrupto são os voluntários que depois de participarem de um curso preparatório, se revezam em plantões de quatro horas e meia, o que garante que o posto esteja sempre disponível para quem precisa desabafar: com aceitação, respeito e sigilo (quem fala não precisa se identificar). No RS há postos em Porto Alegre, Novo Hamburgo, Santa Cruz do Sul, Palmeira das Missões, Chapada, Pelotas, e pela internet: www.cvv.com.br.
Hoje Ter é o que expressa o Ser, então quem não pode Ter, não é nada aos olhos dos outros. O sujeito desgraçado, isto é, sem sorte, sofre mais o aprisionamento das suas emoções por sentir-se invisível socialmente.
Parece que ficou fora de moda - Ser Humano: sentir dor, solidão, chorar, ter alguém em quem realmente se possa confiar, gratuitamente, sem ter que dar nada em troca. Complicado o indivíduo ser indivíduo, ser aceito do jeito que é. Inclusive porque não há disponibilidade de diálogo, talvez pela dificuldade em se lidar com as diferenças, estilos de vida, preocupações de cada pessoa; e ainda sempre tem algo mais importante disputando atenção: o trabalho, a televisão, o celular ou o computador. Na rua a situação ainda é mais grave, o individual desaparece na multidão, é mais um numa fila, numa sala, num ônibus lotado. No trabalho a situação coletiva e estressante de competitividade oprime, e a conseqüência é que se faz colegas, não amigos.
Prevenir-se do risco de pensar em suicídio é ter condições para lidar com as dificuldades, ter motivos para estar contente, com saúde física e emocional, vivendo com dignidade, amor, respeito, educação, trabalho, reconhecimento, esperança, boa alimentação, moradia, lazer e essencialmente de Amigos para compartilhar a vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário